1994 - 2014
A verdadeira história SS
É certo e sabido que uma história
tem várias versões, dependendo de quem a conta. Da mesma forma, normalmente
quem conta um conto acrescenta um ponto. Se juntarmos a isto o estado, digamos
alegre, que envolve, regra geral, tudo o que rima com claques, uma biografia em
poucos anos já pode ser bem diferente da realidade. Por isso as linhas que se
seguem foram escritas com todo o cuidado, recorrendo a várias fontes e pontos
de vista, tentando manter a veracidade dos eventos, de uma forma humilde e sincera,
pois como em tudo na vida, existem momentos bons e menos bons, mas sem dúvida
que todos fazem a nossa cronologia.
Para a primeira parte desta autobiografia,
referente ao período 1994-2007, reunimo-nos uns 12 SS numa mesa de café, e
entre algumas minis e outros recuperadores de memória, as situações foram
relatadas, debatidas e corrigidas. Muitas reuniões depois, lá se compilou o
texto que podem ler mais abaixo.
A segunda parte da história é
mais recente e corresponde ao período 2007-2014. Foi recolhida por altura do
20º aniversário da claque. O modus operandi foi um pouco diferente do anterior.
Sete épocas, 6 ultras, cada um responsável por relembrar desde o acontecimento
mais marcante ao pormenor mais irrelevante.
A nossa história em 2 fases. 20
Anos a defender um clube e a honrar uma cidade. Venham os próximos.
1994-2007
Sentado com um grupo de amigos que fielmente se acompanham há 14 anos, tentando transcrever a história dos South Side para uma folha há muito em branco, as memórias são muitas e cada vez mais, à medida que as mesmas vão despoletando, mais mil há muito esquecidas, atropelando-se para ficar numa folha cada vez mais pequena para uma história tão rica.
Quem diria, 14 anos passaram, as botas da tropa já nem se encontram no armário, os blusões de bombeiro há muito deixaram de ser fashion e as famosas DT pelas quais nos fazíamos transportar já são consideradas relíquias, mas as cores e paixão que motivaram a nossa fundação como que um grito de revolta numa época de modas, tentando valorizar Faro e o que é de Faro, num panorama nacional, continua bem patente e cada vez mais forte.

Era uma cidade apaixonada pelo futebol e pelo seu clube mais representativo, o S.C. FARENSE. E este foi o principal motivo para o nosso surgimento. Esta é a nossa história, relatada por quem a acompanha desde o início.
Acompanhado por uma moda ultra recém chegada de Itália, mas que não nos era estranha de todo, pois já tinham existido no S. Luís vários grupos a apoiar o clube, se bem com outros estilos (Pujança Moura, Alma Algarvia; Demónios Brancos), os South Side começaram a sua vida na época de 94/95 na 5ª jornada, frente ao Braga. No jogo inaugural cerca de 100 adeptos abriram tochas, potes de fumo e extintores que, em associação com balões, originaram nova cor no topo sul do S. Luís, apresentando à massa farense o significado da palavra coreografia.

Nos jogos no S. Luís já se tornava habitual ver cerca de 200 sócios SS na bancada, no entanto a mentalidade ainda não se encontrava bem implantada, sendo exemplo disso o tutti-frutti que vigorava nas cachecoladas.

Contra o Boavista dois panos gigantes cobriram o topo Sul do S. Luís. Ao receber o Porto, e com o historial dos anos anteriores, assistiram-se a violentos confrontos envolvendo SS e SD
, originando vários feridos e de novo a claque como tema de conversa entre as gentes de Faro. Neste jogo a bancada SS lotou com cerca de 500 elementos, que apresentaram um belo show pirotécnico.

A direcção do grupo convoca 12 colaboradores que usando braçadeiras na bancada, ajudam na organização da vida da claque. Por esta altura já os South Side fazem parte dos adolescentes farenses, criando iniciativas extra-desportivas, como os lendários concertos SS realizados no espaço 20 de Janeiro, com a presença de bandas míticas locais como os Punk-kecas e Sem Fuga.
As quatro deslocações no primeiro ano reflectem a vontade de espalhar o espírito SS pelos estádios do país, destacando-se a invasão a Leiria onde a claque se apresentou em força.
No último jogo em casa frente ao Est. Amadora festejava-se a primeira ida à UEFA, realizando-se uma dupla coreografia, em que o topo norte apresentava dois panos gigantes e no topo Sul vigorava uma faixa com os dizeres: “NASCEMOS PARA TE LEVAR À EUROPA”. No final do jogo, uma invasão de campo (a primeira de muitas) festejada ao rubro.
O SC Farense estava em alta, impulsionado por um grupo que se começava a definir como Ultra. Neste mesmo ano, Hassan foi o melhor marcador da 1ª liga com 31 golos e o Farense subia à divisão principal em basquetebol, após uma poderosa invasão SS a Olhão.
No final da temporada os South Side Boys já se destacavam no panorama nacional. Um primeiro ano atribulado e intenso para O grupo algarvio.
A segunda época iniciou-se frente ao Tirsense onde, para além da abertura de extintores inaugura-se a faixa “SIEMPRE BIANCONERO”, um colosso de 18 por 2 metros. Com uma mentalidade ultra mais madura as coreografias revelaram-se originais e surpreendentes. Belos exemplos são os tifos com o Sporting (topo repleto de cartolinas brancas), com o Benfica (enormes plásticos brancos que descendo formaram as siglas “SCF”), com o Boavista (6 letras gigantes e uma faixa pedia aos jogadores “VENÇAM…Merecemos ficar na primeira”) e frente ao O. Lyon (bandeira nacional com cartolinas), na primeira e única vez que os SS seriam anfitriões de um grupo ultra estrangeiro, Bad Gones.

No que se refere a deslocações (8 no total), destacaram-se algumas realizadas por verdadeiro amor ao clube, principalmente ao norte do país: 3 ultras presentes em Guimarães exprimiam numa faixa o seu sentimento (“1500 Km reflectem o nosso amor por ti”); em Braga, 10 SS conseguiram regressar a Faro graças à ajuda do treinador e equipa técnica do clube; no Bessa, 5 elementos ficaram rodeados de Panteras Negras; em Lyon, 15 ultras lidaram de perto com fortes medidas de segurança, as quais obrigaram ao corte em 6 partes da faixa PRESENTES (nesta deslocação destaca-se o pequeno-almoço tomado com os jogadores). Na mítica invasão a Campo Maior neste ano, registar-se-ia a maior batalha campal da história SS, com tochas e bastões à mistura, da qual resultariam vários feridos e 15 detidos.
Quantos mais estádios os SS visitavam, quantas mais claques conheciam, mais se apercebiam do real valor da mentalidade ultra que tinham. Para isso ajudavam os recentes cachecóis e o vasto material produzido. Já “fardados” a rigor, os núcleos proliferam no seio SS (10 ao todo), destacando-se os SS Fuzeta, SS Emissora, os GAT (Grupo anti tripeiros), SS Lisboa, SS Norte e as SS Girls. Influenciados pelos pais desde que nasceram a apoiar o clube de Faro, vários jovens sobressaem no seio da claque, muitos deles formando núcleos, outros colaborando de formas mais casuais (sendo o Fernando Nuno um bom exemplo), naquele que mais tarde, se iria definir como o núcleo duro da claque. Neste contexto nascem os SS Penha. Liderados por Pedro Leitão e Nuno Pudim, iriam revelar-se preponderantes na vida da claque nos primeiros anos, tanto no aspecto positivo (com presenças constantes de 50 elementos) como no negativo (devido à agressividade espalhada pela cidade). Surgem os SS Gelatiere, constituídos por elementos mais velhos em relação à média de idades da claque, de onda brota o emblemático Rui Roque.
Aparecem os SS Budens, núcleo do concelho de Lagos, que apresentam cerca de 15 elementos no S. Luís frente ao Lyon.
A atitude revolucionária dos SS originava conflitos com a direcção do clube, sendo habituais as ofensas verbais durante os jogos tendo como alvo vários dirigentes. Como consequência e numa tentativa de isolar a claque, o topo sul passa a apresentar uma divisão em rede, delimitando um espaço exclusivo para os sócios SS com uma lotação de 350 pessoas. A entrada (a famosa porta SS) era controlada pelos dirigentes da claque que confirmavam o cartão de sócio SS (mediante o pagamento de 1000$00 por ano assistia-se a todos os jogos em casa).

O 3º ano de existência inicia-se mais uma vez em casa frente ao Est. Amadora, onde é inaugurada a nova faixa. A direcção SS passa por nova alteração, juntando-se aos 2 directores existentes os prezados Paulo Barão e João Galrito. Neste ano alguns ultras marcariam presença no primeiro congresso nacional de claques em Leiria.
Nas deslocações destaca-se a transferta a Alvalade numa Sexta à noite, numa época em que os SS estariam presentes em cinco estádios fora de casa. A postura em casa dividia-se entre a excelente e a mediana, conforme o adversário e a transmissão na televisão, destacando-se o jogo frente ao Sporting com a coreografia realizada no topo norte: “Ontem, Hoje e Amanhã… SEMPRE FARENSE!”
No decorrer da época inaugura-se a nova sede localizada no 4º andar do edifico sede do Farense. Com a equipa a lutar pela permanência mais uma vez, denota-se um decréscimo quer ao nível do apoio vocal, quer em número, quer em termos de atitude na bancada, ficando a maior parte dos SS sentados. Como que um filtro invisível que mergulha no topo sul, os verdadeiros ultras começam a revelar-se…
Antes do inicio da temporada de 97/98, já a direcção SS levava uma reestruturação com os quatro dirigentes no activo a convidarem dois chefes de cada núcleo existente, totalizando 10 directores. Um deles, Rui Roque…


Nas deslocações efectuadas destacam-se, entre outras, Belém, Campo Maior, Luz e Coimbra.
Tal efeito de dominó, o decréscimo do rendimento da equipa leva a uma baixa geral nas assistências, incluindo a dos próprios SS. O espírito de equipa desta altura era mínimo e os ultras apenas se juntavam nos dias de jogo para, minimamente, apoiar o seu clube. Ainda assim, estreia-se a nova faixa principal (Bulldog) frente ao Benfica, numa época marcada pelas parcas coreografias realizadas. No último jogo em casa frente ao Salgueiros, festejando mais uma vez a permanência, registam-se confrontos com a Alma Salgueirista.
A celebrar cinco anos de existência, os South Side por pouco não tinham fôlego para apagar as velas do bolo. Com presenças mínimas de ultras na bancada, jogos havia em que a faixa principal nem era colocada. Num ano em que tudo parecia ruir, a claque perde a sede no 4º andar e assiste ao afastamento do lendário treinador PACO FORTES.
Apenas três deslocações marcam um ano negro na história SS. Após vários abandonos a direcção fica definida, resistindo quatro ultras Farense que perdurariam até à época de 2002/2003: João Galrito; Margarida (Austra); Paulo Castilho e Rui Roque.
Em 99/00 registam-se profundas alterações na estrutura do Farense, com a entrada dos espanhóis na SAD criada na época anterior. Uma entrada envolta em controvérsia gerada principalmente devido ao rumor da alteração do símbolo principal do clube. Muitos sócios míticos do SC Farense afastam-se, alargando ainda mais a barreira que separava o clube da sua cidade. Os South Side desenvolvem uma relação estável com o representante dos espanhóis, Pablo Santiago, reunindo-se com este esporadicamente. Este senhor revelou-se dono
de uma mentalidade ultra relativamente aos peñas, muito à frente, apresentando propostas plausíveis para a claque, fruto da sua experiência como coordenador da curva ultra do Salamanca.

Com resultados desportivos do clube aquém das expectativas, que conduziam a chicotadas psicológicas a meio da temporada, louvam-se os convites que a SAD disponibilizou aos SS possibilitando um aumento da massa humana nos jogos em casa.
Nesta época destaca-se o primeiro jogador a mostrar constantemente uma postura de empatia para com a claque, Lucian Marinescu.
Em deslocações, a claque volta a visitar campos conhecidos (5 no total), destacando-se a transferta a Campo Maior com a presença de 10 autocarros com adeptos farenses.
E no sétimo ano de existência, a claque ressuscita. Das conversas com Pablo Santiago surge a ideia da BANCADA JOVEM SS, um espaço físico semelhante à divisão da bancada ocorrida na época 95/96. Por 12.000$00 ao ano, os sócios poderiam assistir a todos os jogos em casa do seu clube. Com novo fôlego, registam-se sete deslocações, marcando presença pela primeira vez em Aves, Aveiro e Alverca. Com uma base forte constituída essencialmente pelos Grupo Abuíssa, Grupo Porno e pela direcção, a claque aposta na divulgação das suas acções através de propaganda espalhada pela cidade, mostrando que no meio da destruição do clube, ainda existiam aqueles que acreditavam! Mais fortes, começam a apresentar uma forte tendência interventiva, contestando tanto a direcção do clube como a própria equipa técnica, culminando em confrontos frente ao pavilhão com as forças policiais.
Na época de 2001/2002 a claque torna-se uma associação, tendo como presidente o fundador Paulo Castilho. Num ano em que se assiste ao regresso do mítico Paco Fortes ao S. Luís, a equipa de futebol sénior do farense desce de divisão após 10 anos na 1ª liga. Não devido à falta de apoio da Associação South Side, presente em cinco estádios: Bonfim, Luz, Paços de Ferreira, Portalegre e Vidal Pinheiro. Os Grupos aumentam com o aparecimento dos SS Olhão, liderados por um ultra criado na «La Curva» argentina, Nehuen ‘Argentino’.
Dada a passividade do povo de Faro derivada das grandes mágoas existentes com os ainda dirigentes do clube, os South Side Boys adoptaram uma postura mais política dentro do clube, tornando-se na voz da revolta dos sócios. Marcando presença em todos os estádios do território continental e na Ponta do Sol, na Madeira, apresentaram-se na 2ªB mais coesos em todos os aspectos. Num Farense podre por dentro tentaram honrar a história gloriosa do clube, conscientes que eram a única salvação para o futuro. Iniciando o campeonato a apoiar uma equipa de futebol composta pelos juniores, os South Side reúnem 230 sócios, realizando uma invasão à terra vizinha de Olhão, deslocando-se de barco. Em casa apresentavam uma massa humana mais grandiosa que nas épocas anteriores, mas a verdadeira diferença residia na atitude na bancada, com um apoio incansável à equipa, destacando-se a independência dos resultados, negativos a maior parte das vezes. A gestão e funcionamento dos bares do S. Luís ficariam a cargo da associação SS, revelando o aparecimento de um novo grupo, impulsionado por Pedro Carrega, a Legião Boda, que trouxe consigo a experiência dos “Escutas” no que toca ao sentido de organização, aventura e mentalidade, o que prova que a qualidade dos grupos nada tem a ver com o seu número de elementos. Na mesma época surgem ainda os grupos Praia de Faro e Velha Guarda. Tanto apoio não impede nova descida de divisão, algo esperada pelos ultras que diariamente viviam a vida do seu clube.
O clube conseguia a permanência, mas a sua situação financeira continuava crítica, colocando em risco a sua inscrição na época seguinte. Nesta época a associação marca presença nos principais eventos realizados na cidade, com espaços SS (barraca 12) na concentração de motos, na semana académica e na semana da juventude.
Tal só foi conseguido devido à pressão exercida pela associação SS. Dado o rumo que o clube seguia, várias foram as iniciativas de protesto e revolta lideradas pelos South Side, desde a manifestação no centro da cidade intitulada "Eu sou Farense" em alusão ao divórcio entre a cidade e clube, aglomerando mais de 400 pessoas, à invasão de campo interrompendo o jogo em protesto, envergando uma faixa que lançava a questão “Tens vergonha de ser Farense?”.
No entanto, após 8 jogos realizados pelos juniores devido à impossibilidade de inscrever jogadores por culpa da divida acumulada na federação, o clube acaba com a participação da equipa de futebol na 3ª divisão. O ponto alto desta época foi a vitória conseguida na deslocação a Ferreiras, premiando os South Side pela sua fidelidade e os briosos juniores pelo seu esforço, jogando simultaneamente em 2 campeonatos- o seu e o dos seniores.
Sem futebol ao fim de semana, sem clube do coração sem apoiar, a associação vira-se para os seus, criando várias iniciativas que consolidam o grupo. Prepara-se uma lista para as eleições para os órgãos socais do clube, que nunca chegaria a avançar devido ao facto de a direcção não cumprir os prazos legais da realização da mesma, tornando-se ilegítima aos olhos da associação SS, facto que se manteria inalterado até aos dias de hoje.
A um passo dos 13 anos de existência, estamos vivendo uma experiência na distrital totalmente nova, mas dentro da visão que temos do que deve ser o futebol, somos contra o futebol moderno!!!
O número de sócios SS ultrapassa os 100 elementos, e a adesão cresce de jogo para jogo, dado o protagonismo local e regional que a associação tem tido, quer nos jogos em casa, quer nos jogos fora, contribuindo para tal o facto de todas as deslocações se realizarem no Algarve, usufruindo pela 1ª vez das condições que os restantes grupos nacionais dispõem a nível geográfico.
O resto da história ainda está bem fresco em todos nós. Quem nós somos, quem são os SOUTH SIDE, e provavelmente ao leres isto, muitas serão as recordações que passam pela memória deste passado recentíssimo. Dicas??: Torneios PES; torneios de sueca; paintball; jantares de grupos; jantar de Natal; deslocações a todo o lado, e sempre com mais de 40 elementos, inclusive internas, destacando o momento alto que aconteceu no 1º derby da cidade desde a década de 60, com a UAlg, onde estiveram presentes 150 ultras que apresentaram uma coreografia memorável, ilustrativa da nossa grandeza. Frente aos 11 Esperanças a cidade seria brindada com um comboio turístico fretado pelos South Side, para nos fazer transportar durante o rally tascas, iniciativa que teria origem frente à UAlg.
Com a subida garantida neste momento, temos a oportunidade de celebrar o título de campeões, algo inédito na nossa história. Um brinde para todos os sócios SS, tanto para aqueles que o são desde o início, como principalmente para aqueles que desde que o são, nunca viram o SC Farense a jogar na 1ª liga.
Esta é a nossa história (1994-2007)
2007-2014
Na época de 2007/08, a jogar
na 1ª Distrital, mais uma vez os South Side dizem “presentes” quando a maioria
das pessoas da cidade ainda estavam de costas viradas para o clube. A claque
marca presença em todos os jogos fora, aproveitando a parca distância
geográfica, percorrem o Algarve de lés a lés, espalhando o nome de um clube e
de uma cidade. Saem reforçados da experiência, reforçados enquanto claque
organizada, reforçados em espírito, em mentalidade, postura e forma de estar.
Acima de tudo saem reforçados em união e fortalecidos enquanto grupo. Criam-se
os departamentos dentro da claque, que em termos de organização interna
marcaram pela positiva. Relegados para o Estádio Algarve nos jogos em casa,
praticamente só a claque apoiava o clube. As deslocações tornam-se muito mais
que ir ver o Farense jogar. São autênticos festejos nas bancadas e não só, com
vários eventos a surgirem antes do apito inicial do árbitro. E foi a postura
correcta, pois os jogos de futebol em si eram de um nível abaixo da média,
certos campos nem para cultivar batatas serviam, mas nóSS fazíamos sempre a festa,
mostrando que não nos interessava se o clube estava em alta, não nos
importávamos que o clube estivesse em baixo, jubilávamos sim pelo FARENSE estar
vivo.
Sete anos passaram desde o ponto onde ficou a história SS. Sete anos
passaram a correr, mas nem por isso faltaram aventuras no seio da claque. E
sempre que chega a hora de escrever estas linhas todo o sentimento vem ao de
cima. Dizem que recordar é viver, pois bem o objectivo é que todos os que lêem
estas memórias revivam os belos momentos que fazem parte da nossa cronologia,
parte de nóSS. As próximas linhas não saem da cabeça de um só, antes são fruto
da compilação de recordações de muitos ultras que viveram e continuam a viver o
dia-a-dia da claque.
Vivia-se a época de 2006/07, após
o fim da participação do clube nos campeonatos nacionais de futebol, eis que o
Farense surge no escalão mais inferior, na 2ª Divisão dos campeonatos distritais.
Uma nova realidade para todos os Ultras Farenses. Foram duas épocas em que
vivemos momentos inesquecíveis. Não nos interpretem mal, não queremos voltar a
ter esta experiência, porque o lugar do Farense é na 1ª Liga, mas sem dúvida
alguma que o tipo de futebol que vivemos muitos não o conheciam. Futebol puro e
sem os milhões que condicionam o futebol moderno de outras divisões. No final
do campeonato da 2ª Distrital o Farense sagrou-se campeão. Um título inédito,
nunca antes vivido pelos adeptos Farenses. Festa rija, do tipo cigana, com
muitos dias em claro a festejar e muitos outros a recuperar. Num ano que surge
a campanha “ÉS DE FARO… ÉS FARENSE” a claque tem um recomeço no apoio à equipa
sénior do clube em alto nível, com boas prestações na bancada, em deslocações e
dentro da cidade. É uma altura em que o clube não tem massa associativa à
excepção daqueles que nunca o abandonaram, os South Side Boys. Aproveitando
este facto, a claque esforça-se por relembrar a todos os habitantes farenses
que o FARENSE existe e que terá sempre quem o acompanhará.

Pontos altos da época foram sem dúvida algumas deslocações, nomeadamente
a Salir. Na celebração de um golo cai a rede que dividia o campo do morro onde
se encontravam os SS. Nada de anormal não fosse um elemento da claque ficar com
uma ruptura de ligamentos com luxação muscular. Coincidências à parte, o certo
é que esse elemento nunca mais abandonou a claque, vindo-se a tornar um SS de
corpo e alma, ainda hoje participando activamente na vida da claque. Bruno, o Cabeçudo,
sem dúvida ficou com uma história para contar aos netos. Ainda nesta época
destaca-se uma deslocação a Vila Real de Stº António com cerca de 200
elementos, com um mini cortejo para o estádio bastante barulhento, onde o Grupo
Budens mostrou toda a sua garra. Este grupo, aproveitando a terra de origem,
acompanhou nesta época a claque em muitos estádios, como na deslocação a
Odeceixe, onde nos proporcionaram um belo fim-de-semana. Destaque ainda para o derby da cidade com o Faro e Benfica e
duas deslocações a Alvor onde existiram alguns desacatos com os jogadores do
Alvorense. No final da época o FARENSE sagrou-se campeão num jogo em Machados,
que coincidiu com o 14º aniversário da claque. Os South Side aproveitaram esta
alegria para invadir a baixa de Faro e mais uma vez mostrarem às gentes da
cidade que o FARENSE estava vivo. Os jogadores acompanharam a festa, e clube e
claque cada vez mais, tornam-se um só. Estes dois anos deixam muitas saudades,
mas o único caminho é para a frente.
Na época 2008/09 o nosso
Farense regressa aos campeonatos nacionais. Com os mesmos problemas do passado
o Farense debate-se com uma direcção claramente ilegal. Os South Side continuam
a lutar para que essa situação seja resolvida, algo que só aconteceria no final
desta época. Com o regresso aos nacionais regressam também as deslocações mais
longas, voltando novamente a claque aos campos alentejanos e da margem sul,
intercalados de outros no Algarve.
A época começa com um torneio em Lagoa em Julho, bem no meio da chamada silly season. Aproveitando o clima do
Algarve, os ultras mobilizam-se para um belo fim-de-semana, deixando bem claro
a vontade de continuar a transformar os jogos do clube em autênticas
festividades. Recomeçam as deslocações regulares de Autocarro o que traria
maior conforto aos ultras. Numa dessas deslocações, Lusitano Évora, acontecem
sérios confrontos com a polícia local, sendo necessário efectuar o resgate de
um ultra na esquadra da cidade. Na Cova da Piedade o clube local colocou
bilhetes a preços proibitivos. As divisões secundárias também têm os seus
clubes-abono. O FARENSE pelo seu historial é porventura um deles. Como não
alimentamos chulos, a decisão foi unanime e a claque decidiu subir a um morro
por detrás do topo, colocando as faixas e panos nas árvores. Um dirigente do
clube grita do relvado que tinham conseguido as entradas mais baratas, mas os
ultras não se vendem e mantêm a postura. Imagino o que pensaram os nossos
jogadores ao entrarem em campo.. . Novamente em Évora, agora contra o Juventude,
os South Side mobilizam mais de 100 elementos. Num ano em que o Farense tem
aspirações iniciais a subir de divisão, os resultados não correm bem, e após
algumas chicotadas a época termina com o director desportivo a treinador
(Barão). Acontecem fortes alterações na estrutura directiva da claque. Depois
de seis anos na presidência dos South Side, Rui Roque renuncia ao cargo, por
motivos que só o próprio poderá enunciar. Fica aberta a porta para as eleições
dos órgãos sociais da associação, que se disputariam pela primeira vez com duas
listas concorrentes. Os sócios SS são chamados às urnas e após um a renhida
disputa, ganharia a presidência João Galrito, vice-presidentes João André,
Pedro Roque e Pedro Carrega. É realizada a primeira campanha solidária de
roupas e brinquedos a dar a uma associação de solidariedade social em Faro. Um
ano bastante intenso no seio da claque.
A época 2009/10 começa com as
eleições para os órgãos sociais do SC Farense. Grande parte dos elementos dos
South Side concorrem à direcção do seu clube do coração com um projecto viável,
mas os sócios votam maioritariamente na outra lista. Resolveu-se assim um
problema gravíssimo que apoquentava o clube, com a eleição de uma direcção
legítima. Os South Side tentam aproximar-se mais da cidade e da sua gente,
realizando várias iniciativas. Exemplos disso são a distribuição de bandeiras
"Farense Sempre" pelos cafés do concelho e o protocolo com a
associação de músicos, permitindo que vários artistas da cidade tornem a sede
da claque um local de apresentação da sua arte. Continuou-se com as campanhas
de recolhas de roupas e brinquedos na altura do Natal. Realizou-se uma
exposição na baixa de Faro, nas comemorações do Centenário do clube onde a
claque foi homenageada. Só fazemos o que sabemos fazer, e o que fazemos é de
coração. Não procuramos protagonismos, mas o que é certo é que sabe bem o
reconhecimento por parte do clube. Nesta época tenta-se patrocinar as escolas
de formação do Farense. Mas mais uma vez as mentes mesquinhas do clube exigem a
não colocação do símbolo SS nas camisolas. Parece que voltámos a 1994 com a
velha história dos SS (iniciais de South Side) e a preconceituosa associação
aos SS nazis. Ele há mentes que nunca mudam. O problema até era fácil de
contornar, mudando o símbolo por outro, mas os South Side recusaram, dando mais
um passo na preservação da sua identidade e na luta contra essas mesmas mentes
preconceituosas. Não nos envergonhamos do que somos, do que defendemos nem de
como o defendemos. O resultado foi nesta época a claque ter patrocinado a
equipa 11 Esperanças. O Farense começa a época a jogar no Estádio Algarve, tal
como as épocas anteriores, mas a meio da época passa a jogar no Estádio S. Luís
em definitivo. Um campeonato parecido à da época anterior em termos de
adversários, com algumas equipas do Algarve, Alentejo e Setúbal. Presentes em
todas as deslocações, os South Side não conseguem evitar alguns confrontos nos
campos adversários, muito devido à postura das forças policiais locais. Os
agentes de autoridade das brenhas certamente ouviam histórias na comunicação
social das claques a sério, e de repente encontravam-se frente a frente com
uma. Assim foi no campo do Fabril e Monte Gordo. Em Moura, regresso do mítico
evento "Carne e Vinho", onde as margens do suposto Alqueva, serviram
de convívio e preparação para um belo jogo. O Farense, em ano de Centenário,
conseguiu a subida à 2ª Divisão B nacional, num jogo memorável com o Cova da
Piedade em casa. Onde só a vitória interessava, o Estádio de S. Luís teve uma
grande moldura humana, sendo o momento em que as pessoas de Faro deixaram de
perguntar algo que dava vómitos "O Farense ainda existe?" Jogo em que
os South Side passaram para o topo norte, jogo em que não passava um minuto sem
haver uma explosão, o Farense ganhou e subiu.
A época 2010/11 começou com
elevadas expectativas, no jogo inaugural a claque realizou uma coreografia
brilhante onde um comboio desfilava na bancada com a seguinte mensagem: "Próxima
paragem 2ª Liga!". O Farense tinha subido de divisão e existiam 3 equipas
dos Açores no mesmo escalão. Na primeira destas deslocações às Ilhas, ditava o
sorteio que os ultras se deslocassem à ilha do Pico, no entanto, devido aos
voos e oferta hoteleira, a romaria dirigiu-se ao Faial, onde cerca de 15
elementos fizeram a festa e escaparam à morte no estádio do Madalena. Parece
exagero, mas é a realidade muito devido a uma incursão nocturna à Marina do
Faial onde estavam a “oferecer” pirotecnia em abundância. Felizmente, o único
dano a relatar foi mesmo o pequeno incêndio que a faixa principal da claque sofreu.
Destaque também para a numerosa família do Tuse (Inglês) que acompanhou a
claque para todo o lado e destaque também para o Peter’s Café, local
transformado em sede honorária SS durante a estadia na ilha. Por esta altura
(Setembro 2010), João Galrito renuncia ao cargo de Presidência dos South Side,
sucedendo-lhe o Pedro Roque (que já pertencia à Direcção anterior). Em Novembro
os ultras regressam aos Açores, desta vez com 5 elementos. Num jogo realizado na
praia da Vitória, na ilha Terceira, um dos ultras viveu intensamente esta
viagem, fazendo jus à expressão «Quem dorme, pouco aprende». No total dos 2 dias
repousou 5 minutos. Esgana para uns, esgalha para muitos, mostrou no meio do
Atlântico as façanhas de que o povo de Faro é capaz (durante as 24 horas dos
dias). Na última viagem aos Açores, os South Side deslocaram-se em peso à ilha
de S. Miguel (cerca de 25 elementos), para defrontar o Operário. Mais uma deslocação
grandiosa e mais uma vez muitas histórias vividas. Já se sabe que as memórias
ficam para quem as viveu, mas não podemos deixar de mencionar o estabelecimento
nocturno onde os SS conviveram com anões e afins, no que mais parecia um
espectáculo burlesco, um verdadeiro freak
show. E como à terceira é de vez, lá se trouxe uma vitória das ilhas! Nesta
época, destaque para o jogo em Merelim (Braga) para a Taça de Portugal e o Oriental
(Chelas) onde se registaram desacatos com os locais e posteriormente com a polícia.
Os confrontos nem sempre correm bem, quem vai à guerra dá e leva, e desta vez
os ultras SS saíram maltratados. Ficou a atitude, pois ninguém recuou nem
tremeu perante o adversário. Em Dezembro de 2010, o treinador do clube Joaquim
Sequeira viria a falecer e a época foi concluída pelo “jovem” treinador João de
Deus que após uma sequência brilhante de jogos, retirando a equipa dos últimos
lugares, viria a chegar à última jornada dependente apenas de um empate para
garantir a permanência. Num estádio de S. Luís com 5000 espectadores e após a
equipa estar a ganhar ao intervalo, o inevitável aconteceu e o Farense perde
por 1-2, relegando o clube de volta à 3ª Divisão. A massa adepta destroçada
reconhece o esforço dos jogadores, e mais uma vez sente-se a união dentro do
clube. Após quatro épocas de triunfos e euforia, os ultras SS e os adeptos
Farenses passam o teste da derrota com distinção. Nesta época, deu-se início ao
prémio para o melhor jogador (votação sócios SS) com o nome Troféu Joaquim
Sequeira sendo o vencedor o jogador Serrão (guarda-redes). O vencedor do “Grupo
Mais Fiel” seria o Grupo Porno.
A época 2011/12 começa com a
Taça de Portugal, saindo no sorteio uma deslocação às Caldas da Rainha. No
final do jogo após provocações do guarda-redes adversário, os SS invadem o
campo e pedem contas ao mesmo, trocando-se "galhardetes" com jogadores
adversários e ACAB. Para o primeiro jogo do campeonato, na recepção ao
Quarteirense, preparou-se a maior fumarada que alguma vez o S. Luís viu e uma
das maiores de sempre feitas em Portugal.
Depois de alguns anos de recusa, a claque consegue finalmente patrocinar a formação do clube. Será sempre um orgulho ver
os noSSos miúdos com o noSSo símbolo ao peito! De modo a estreitar ainda mais
os laços com estes jovens, organiza-se o primeiro almoço convívio com os
atletas de formação e seus pais. Na última deslocação de 2011, dois autocarros
completamente cheios abalaram para a Costa da Caparica, a que se juntaram mais
uns quantos carros vindos de Lisboa, totalizando cerca de 130 ultras na maior
deslocação de sempre, até à data, fora do Algarve. No
primeiro jogo do ano de 2012 contra o Esp. Lagos, os SS apresentam a maior
tarja alguma vez aberta no S. Luís, "AMOR ETERNO", um colosso de 60
por 9 metros, que ocupou todo o topo norte. O Farense respondeu com uma
magnífica exibição e ganhou 5-0. O ambiente era de grande euforia como se podia
esperar, mas os ACAB tinham um plano para estragar a festa e os confrontos
foram inevitáveis. O jogo seguinte em casa foi contra o Sesimbra e sob forma de
protesto o jogo inicia-se com a bancada SS vazia, apenas com uma faixa
"REPRESSÃO POLICIAL, BANCADAS VAZIAS, SILÊNCIO TOTAL". Após 5 minutos
de jogo em absoluto silêncio, os SS regressam à bancada vindos de vários sítios
do estádio e debaixo de uma ovação do restante público.
O Farense acabaria por terminar a 1ª fase do
Campeonato Nacional da III Divisão sem perder um único jogo, sendo a única equipa
a conquistar tal feito inédito. O Farense era também a única equipa invencível
do país inteiro.
O jogo do dia de aniversário, contra o Esp.
Lagos, realizou-se em Silves devido à interdição do S. Luís, como consequência
do sucedido nas Caldas, adiando para 15 dias depois, a festa dos 102 anos do
clube. Para esse jogo, contra o Quarteirense, a claque distribuiu pelos carros
da cidade convites para o jogo, amarrados a um balão preto ou branco. O
campeonato terminou e o Farense foi campeão, conquistando um título que ainda
não tinha, com comemorações na baixa e na Semana Académica. No primeiro
fim-de-semana de Julho, organiza-se o primeiro Arraial Farense. A frente do
pavilhão do clube é palco de uma enorme festa preparada de e para as gentes de
Faro. Uma iniciativa de enorme sucesso, mais uma a servir de propaganda para
enaltecer o nome do SC Farense. Outras iniciativas do tipo passaram pela
realização de um jantar na baixa de Faro, no bar Cruzeiro, mostrando uma claque
mais aberta para a cidade. É inaugurado o novo blog da claque: http://southsideboysfotos.blogspot.com, onde todos os interessados podem visualizar as fotos de
todos os jogos da claque.
Findo o verão, mais uma vez os South Side regressam a estádios bem
conhecidos recentemente. Corre a época de 2012/13
e o Farense regressa à 2ª Divisão B. Com os acontecimentos passados ainda bem
quentes nas memórias, clube e claque adoptam uma postura mais comedida. Claro
que esta atitude é em relação a assumir uma possível subida de divisão, porque
em relação à atitude dos ultras SS o que existe menos é a moderação. Ora
vejamos: todas as deslocações foram efectuadas de BuSS, excepto claro está ao
campo da Ribeira Brava. E que bela transferta esta. Os ultras mobilizaram-se em
força para a viagem à Madeira. Foram uns belos dias passados no meio do atlântico
e em que 60 ultras regressam com o clube no 1º lugar da tabela. As histórias
ficam para quem as viveu, as ponchas ainda hoje perduram algures nos fígados da
malta. De resto a deslocação mais numerosa foi ao campo do Oriental. Ainda
destaque para a invasão a Mafra, precedida de um belo churrasco com o SS
Palmeira a dominar a grelha. A certa altura e como o fogo não queria pegar
alguém se lembrou de acender uma tocha para ajudar a queimar o carvão. Mas em
vez de tocha, sai um pote de fumo laranja. Mais uma situação caricata a juntar
a muitas outras.
Nesta época mais do que nos jogos fora, a claque destaca-se no S. Luís.
Foi um ano de viragem para todos os sócios SS que pela primeira vez têm que ser
inevitavelmente sócios do SC Farense. Algo que já se vinha falando há algum
tempo nos corredores e uma obrigatoriedade bem recebida pela direcção da
claque. Era o fim do cinismo. Não se pode apregoar o que não se é. Se somos
todos Farenses, de corpo e alma, pois bem que mostremos a nossa dedicação sendo
sócios do clube, sócios em pleno direito. É tudo uma questão de hábitos, e terá
que ser hábito poupar os euritos para pagar a cota mensal. O resultado imediato
é um decréscimo no número de sócios SS, baixando dos 250 elementos na época
transacta para os 161 nesta época. Colocando tudo numa balança, ganharam os
South side em pureza e ganhou o Farense, que ficou com mais uns sócios,
daqueles sócios que nem tão cedo abandonarão o barco. E falando em barco, eis a
coreografia logo no primeiro jogo da época. Um barco navegando numa bancada
transformada em mar calmo, com uma faixa que dizia: Em busca do tesouro
perdido. Coreografias não faltaram no S. Luís, sendo exemplo as realizadas com
o Torreense, Mafra e Casa Pia, já de regresso ao topo Sul do estádio. Engraçado
como as razões de (in)segurança que o topo apresentava, ficaram resolvidas sem
nenhuma intervenção estrutural. Foram apenas 3 épocas fora do nosso topo, mas
regressámos um grupo mais maduro. A temporada no topo norte junto ao adepto
normal do clube foi benéfica em todos os sentidos, e a aproximação fez-nos
crescer em número e ao mesmo tempo serviu para os sócios do Farense
entenderem-nos melhor. Juntos aplaudimos de pé as derrotas, partilhámos
reviravoltas e grandes vitórias, festejámos subidas, honrámos descidas, encarámos
os A.C.A.B. Mas o topo sul é o topo sul e por alguma razão nunca retirámos o
mesmo dos nossos cânticos.
No jogo decisivo contra o U. Leiria, o último do campeonato, o Estádio
de S. Luís regressa aos tempos áureos de antigamente. Os South Side marcam uma
concentração junto ao mercado da cidade e à hora prevista encontra-se toda a
gente, núcleo de Budens e Lisboa inclusive. A equipa chega ao estádio escoltada
pelo Moto Clube de Faro, onde 14000 Farenses enchiam as bancadas. No sector SS
perto de 500 adeptos já entoavam cânticos 30 minutos antes do início do jogo. A
cerveja estava de volta ao bar, sentia-se alegria, sentia-se festa, sentia-se
nas pessoas o orgulho no Farense, sentia-se uma cidade em peso, O S. Luís
estava cheio, de muitos adeptos de ocasião é certo, mas é um momento que todos
nós necessitávamos, pois a caminhada desde 2007 foi longa e cansativa! Voltando
ao jogo, os SS distribuíram na bancada 1500 bandeirinhas, pretas, brancas e
cinzas, com o logo SS. Abriu-se a faixa " Tesouro a vista, vamos à
conquista!" aludindo à coreografia da 1ª jornada. O resultado foi o
esperado, brindando todos os SS com a desejada subida. Pois foi uma época com
alterações de treinador, várias lesões no plantel e constantes entradas e
saídas de jogadores. E aqui entraram os SS em acção. NóSS apoiámos, nós
motivámos, nós fizemos os jogadores acreditar que era possível e eles
fizeram-nos acreditar que conseguiríamos. E assim foi, jornada atrás de
jornada, estádio atrás de estádio, sempre presentes. Para o final da época
salientam-se os jogos no Restelo, onde os South Side conviveram de perto com a
repressão da liberdade de expressão dos adeptos tão característica das ligas
profissionais. Num ano em que se destaca mais uma vez o excessivo uso da
pirotecnia, a bancada SS apresenta muito material próprio, sendo raro o jogo
onde não se usem bandeiras e estandartes. Mas nem só de futebol se fez a época.
A claque marca presença no apoio ao futsal e em várias festas na cidade, sendo
exemplo as festas de S. Pedro e a realização do 2º Arraial Farense, esta última
criada e organizada exclusivamente pelos South Side.
E assim se chega à época actual, 2013-2014,
uma época que independentemente de tudo se quer de festa. Os South Side Boys
sopram 20 velas. Foi um longo caminho efectuado desde 1994 e, mais do que o
ponto de partida e chegada, deve-se celebrar todo o percurso sucedido. Nesta
época o clube chega a uma liga profissional e muitos ultras chegam a uma nova
realidade. Muitos começaram o percurso na claque com o clube a militar nas
distritais, e desde cedo se habituaram às divisões inferiores. Ainda assim a
animação de todos foi constante, com vários cânticos novos a estrearem nesta
temporada.
Logo na primeira deslocação do campeonato os South Side mostram a sua
força, com cerca de 3 autocarros a invadirem Portimão, e um total de 250
elementos, na maior transferta da claque até à data. Num jogo em que o clube
sofre uma pesada derrota por 3-0, a claque faz a festa, mostrando que os tempos
onde o resultado importa já lá vão. Num ano muito pesado no número de jogos,
mesmo antes do campeonato começar, já os ultras SS levavam 3 jogos da taça da
liga, marcando boa presença em Tondela.
Mais uma vez presentes em todos os estádios, os South Side conviveram de
perto com alguns grupos de adeptos das equipas adversárias. Destaque para a
deslocação a Leixões com um autocarro esgotado, num jogo a uma quarta-feira; a
Chaves, a deslocação mais longa da época, onde 6 ultras aproveitam a viagem
para percorrer a mítica Estrada Nacional 2, juntando-se, 3 dias e muitas
aventuras depois, ao autocarro SS; Alcochete onde 2 autocarros de ultras à
pinha invadem a academia para apoiar o Farense; Frente ao Porto B, um autocarro
e uma carrinha, relembraram em terras do eterno rival, tempos idos. Nestas duas
ultimas deslocações, mais uma nova realidade, a presença dos Stewarts. Na época
com maior numero de Km´s percorridos, sempre que os jogos fora acertavam num
fim-de-semana, um BuSS foi garantido. Destaque ainda para o mês de Outubro, mês
que ditava o calendário três deslocações à ilha de Madeira. Em cada uma delas,
6 ultras levaram o nome Farense além-mar, mostrando aos nativos que a
quantidade é algo relativo na bancada, que quando se canta de coração, corpo e
alma, seis vozes parecem mil! De resto estas viagens, muito curtas de duração,
resumiam-se a almoço, estádio e ponchas. Feitas as contas, cada hora na ilha
ainda saiu cara. Juntando a deslocação aos Açores para defrontar o Santa Clara,
esta época foi certamente a mais dispendiosa para os ultras que quiseram
acompanhar sempre a sua equipa. Com o Farense a participar no campeonato, taça
da Liga e taça de Portugal, foram cerca de 49 (fora amigáveis e pré época) a
quantidade de jogos que os SS foram brindados. Nos jogos em casa a claque
apresentou algumas belas coreografias, sendo exemplo frente ao Oliveirense
(Morte em chamas), Tondela (Honra o teu clube, Defende a tua cidade) e
Portimonense (plásticos pretos). Este ultimo jogo teve direito a carga policial
na concentração SS junto ao estádio, aparentemente só para servir de treino aos
ACAB. Com jogos a qualquer dia da semana, e com a incerteza da data da realização
dos mesmos, ainda sobrou disponibilidade à claque para estar presente no apoio
ao Basket e realizar iniciativas em prol dos Farense: Arraial SS; SS Music
Fest; Lanche futebol formação; entrega de autocolantes SS nas escolas. Ainda
esta época os South Side Boys tornam-se o 1º núcleo oficial do S.C.Farense. Sem
duvida uma época cheia e que enche de orgulho qualquer SS.
Ao celebrar 20 anos de existência os South Side Boys atravessam um belo
momento. Um dos nossos lemas é Sempre Presente, e disso a nossa equipa não se
pode queixar. Onde quer que o Farense jogue a nossa presença é uma realidade
com apoio garantido durante os 90 minutos. Nos últimos 10 anos marcámos
presença em todos os estádios onde o clube jogou. Seja ao Domingo, Segunda ou
Quarta-feira, Seja em Chaves ou nas ilhas, algum SS há-de de lá estar.
Ao celebrar 20 anos de existência, somos Irredutíveis Farenses.
Acompanhamos o nosso clube não por obrigação, não por tradição, acompanhamos
simplesmente porque queremos, porque gostamos, porque nos dá prazer estarmos
nas bancadas, saltar, gritar e cantar pelo grande Farense. Se agora são 191 os
que se podem afirmar 100% SS; 100% Farenses, muitos nos seguirão. E tu que ÉS
DE FARO estás à espera do quê para te juntares a nóSS…
Excelente história! Parabéns! Vejam artigo sobre os SS em omundoultra.blogspot.com
ResponderEliminarParabéns por serem únicos. Admiração eterna pelos grandes SS.
ResponderEliminarAbraço desde Marco de Canaveses